domingo, 1 de dezembro de 2013

Sára Kalí, a Santa Protetora dos Manush/Sinte


A primeira menção histórica a respeito de Sarah la Kali foi encontrada em um texto escrito em 1521, por Vincent Philippon intitulado, A Lenda das Santas-Marias. Suas páginas manuscritas encontram-se agora na biblioteca de Arles. Nesta versão da lenda, Sarah vivia em Camargue, sul da França (sem mais detalhes) entre ciganos do clã Sinte.

De acordo com outra narrativa, Sarah era de nascença uma egípcia e foi para a Palestina como escrava de José de Arimatéia. Este, que no ano 50 d.C empreendeu fuga da perseguição romana aos cristãos, viajando através do mar em uma pequena embarcação acompanhado de Maria Jacobina (irmã de Maria de Nazaré), Maria Salomé(mãe dos apóstolos João e Tiago) e Maria (mãe de Jesus). Eles se depararam com uma tempestade severa e segundo essa versão da lenda, Sarah guiou a todos, por meio da leitura das estrelas, para a costa distante, no sul da França.

Em outra lenda que nós, ciganos Sinte, acreditamos muito mais... Sarah la Kali foi uma cigana que estava acampada na costa ao sul da França, quando o barco em questão se aproximou. E o contato entre ela e as "marias vindas do mar" se deu da seguinte forma: de acordo com Franz Ville, autor do livro (Tziganes, editado em Bruxelas 1956): "Uma de nossa gente foi quem recebeu a primeira revelação e essa pessoa foi Sarah la Kali. Nascida em uma família cigana, Sarah la Kali foi a pessoa principal de seu clã em Rhone (antigo nome da atual cidade de Saint Marie de La Mer). Ela foi escolhida como sacerdotisa-iniciada nos elementos Terra, Água e Ar e é por esse motivo que se vestia de preto, daí seu nome Sarah la Kali (em Romanês, Kali significa preto). Conhecedora de todos os segredos a ela transmitidos, e diga-se de passagem eram muitos os segredos; pois nós, ciganos, a esse tempo já conhecíamos os fundamentos de várias religiões e dominávamos várias formas de ocultismo. Nessa época uma vez por ano, os ciganos Sinte colocavam em seus ombros a estátua de ISHTAR (a filha da Lua) e entravam no mar para receber suas bênçãos (fato que atualmente ocorre com a imagem de Sarah la Kali). Ainda há registros nas tradições orais em Romani desta parte da lenda:

“um dia Sarah la Kali teve visões que a informaram: as "marias" que estiveram presentes à morte de Jesus viriam para sua região e que ela as ajudaria. Sarah viu-as chegando em um barco. O mar estava bravio e ameaçava afundar a embarcação. Sarah lançou seu lenço nas ondas e, usando o mesmo, caminhou sobre as águas ajudando as "marias" a desembarcarem em segurança.”

Na verdade Saintes-Maries-de-la-Mer, ou "santas marias do mar", é uma pequena vila de pescadores localizada no centro-sul da costa do mediterrâneo, França, na região de Camargue de Bouches-du-Rhone. Escavações arqueológicas e lendas locais indicam que a região tem sido venerada como um lugar sagrado por uma sucessão de culturas, incluindo os celtas, romanos, cristãos e, mais recentemente, nós, os ciganos. Uma vez que era o local sagrado da deusa tríplice celta – ligada às águas (a deusa tríplice é o cerne das religiões pagãs e está presente em diversas culturas). Na cultura celta, há várias deusas que assumem esse papel de deusa tríplice, trazendo em si as três fases da vida: nascimento, crescimento e morte. São representadas por uma mulher que traz em si a adolescente, a mãe e a anciã. O três ou a tríade, antes mesmo de ser usado no Cristianismo, era a base da magia e religião celta, pois se baseava não só nas três fases da vida, mas também nas estações (que no início eram contadas como três – sendo que uma dependia da Terra, outra da Água e a última do Ar). Em época celta a cidade possuía uma deusa da primavera conhecida pelo nome de Oppidum Priscum Ra. A adoração à deusa tríplice da água foi substituída por templos romanos dedicados a Artemis, Cibele e Ísis. Já em 542 dC, a cidade era conhecida como Saintes-Maries-de-la-Barca, em 1838, recebeu seu nome atual: o de “Saint Maries de la Mer”. Fontes históricas mencionam uma igreja do século 9 construída na vila, mas muito pouco se sabe sobre a história da cidade antes do século 14, por causa de sua localização remota. Não se sabe exatamente quando e por que a igreja da vila se tornou o local mais sagrado dos ciganos "manushes", algum tempo após sua chegada na Europa no início dos anos 1400.

Outros aspectos de Sarah la Kali:
 
Quando nas lendas aparece a referência de que ela foi escolhida como sacerdotisa iniciada, na realidade isso equivale a dizer: ela era a personificação de uma Shakti. E dentro dos conceitos atávicos que trouxemos do norte da Índia, como personificação de uma Shakti, Sarah la Kali exercia a proteção dos oprimidos e perseguidos e é por isso que alguns clãs ciganos peregrinam rumo ao "santuário" de Sarah la Kali, em Saint Marie de la Mer, na França.

Nicolas Ramanush


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Os Ciganos na Umbanda



Falar sobre o denso universo cigano é tratar de um assunto bastante complexo. Talvez muitos ainda não conheçam a fundo esse povo que prima pela inteligência, pela luz, inspiração, magia, energia, o amor e a força que cada um tem dentro de si. O grande universo cigano é riquíssimo em magias de todas as finalidades, principalmente na Grande Magia de viver. Irmãos do Sol e da Lua, utilizam a natureza para fazer seus feitiços e magias, filhos dos ventos e das estrelas são um  povo sofrido, sem nenhum apoio governamental, estão espalhados pelo mundo inteiro, levam uma vida sofrida e dura sem nenhum conforto ou moleza. Trabalham intensamente a cada dia, enfrentam preconceitos, dificuldades de todo o tipo, mas ainda assim são um povo que onde passam deixam alegria, religiosidade, ética, conhecimentos esotéricos e deixam sobre tudo o grande valor do amor e da vida como ela simplesmente é.

Existe uma legião de espíritos ciganos que viveram entre nós, que ainda em sua vida terrena, já eram mestres, de grande entendimento sobre o mundo espiritual. Já buscavam luz como forma de atenuar os problemas de ordem física, moral e astral. Fazendo desta forma um trabalho que emana amor. Os Espíritos Ciganos são como todos os outros espíritos e também dispõe da liberdade do livre arbítrio. Hoje existe uma discussão muito grande sobre o trabalho destes amigos astrais em linhas não apropriadas para Ciganos, como a Umbanda, por exemplo, torno a dizer que o livre arbítrio é dádiva de Deus, e assim sendo, podem estes espíritos entrar em qualquer linha espiritual que lhe convenha.
Os ditos Exú Wladimir, Exú Cigano, Pombagira Cigana, Ciganinha da Estrada, e muitos outros, são  espíritos que por vezes assim se apresentam para a melhor identificação de seus médiuns e clientes, trabalhando com o mesmo padrão apresentado e conhecido. A denominação destes espíritos para os próprios pouco importa, se é para fazer o trabalho para o qual se tem permissão  de Deus, não irá fazer diferença. 

Os Espíritos Ciganos de outras linhas, são espíritos tão ciganos quanto os de linha mais pura, somente ainda não tiveram oportunidade de integrar seu protegido para que os trabalhos sejam feitos numa linha Romaí (Cigana). A influência destes espíritos em distintos setores de nossa vida terrena e espiritual é permitida por Duvéli (Deus), e conforme o problema que passamos, podemos evocar os Ciganos e pedir por sua ajuda. Estes grandes amigos são bastante conhecidos e vibram geralmente pelo domínio do Mestre do Clã que pertencem, no entanto cada um deles tem as suas próprias especialidades mágicas, e características próprias advindas de sua vida terrena. São inúmeros os espíritos ciganos, sendo impossível citar todos.
Saudação: Salve os Ciganos! Optchá! Opré Romá!

A corrente astral de Umbanda é aberta a todos os espíritos que queiram praticar a caridade, independentemente de suas origens terrenas e encarnações, e que os acolhe em suas linhas de ação. 
Houve época em que dirigentes umbandistas não aceitavam ciganos em seus trabalhos. Eles incorporavam, então, disfarçados, nas linhas dos Baianos, dos Exus e Pombogiras.
O Oriente luminoso que organizou a Umbanda, antes das décadas de 1950 e 1960, integrou os espíritos ciganos à Linha do Oriente. A Umbanda acolhe todos os filhos de Deus em suas linhas, e tamanha foi a simpatia do povo umbandista por essas entidades e a seriedade de seu trabalho, orientando com sabedoria, ensinando a beleza da criação e a alegria de viver, que foi criada uma linha ou corrente independente, específica para eles, com sua própria hierarquia, magia e ensinamentos.
Seus trabalhos estão voltados para as necessidades mais terrenas dos consulentes, e hoje, a influência do povo cigano na Umbanda cresce cada vez mais. 
Na linha dos Ciganos, encontramos espíritos que tiveram encarnações como ciganos e também os que foram atraídos para essa linha por afinidade a magia cigana. Por isso, os ciganos na umbanda não têm a obrigatoriedade de falar espanhol ou romanês (Dialeto Cigano), ler cartas ou fazer  adivinhações. Há os espíritos ciganos que fazem isso porque já o faziam quando encarnados e outros não.
A linha dos Ciganos tem seus rituais e fundamentos adaptados à Umbanda. É uma linha espiritual especial, hoje em expansão, cujas entidades trabalham na irradiação dos Orixás, mas louvam sua Padroeira Santa Sara Kali.
A influencia das entidades ciganas se fez presente desde a metade do século XX, no culto Jurema ou Catimbó, com o determinado chefe Kalon, Mestre João Cigano. Ponto do Mestre João Cigano:
“Sou eu rei dos ciganos,
Sou eu rei dos ciganos,
Trabalho em poço fundo,
Vim procurar meus mestres,
Que curam no outro mundo!”

Os ciganos são desprendidos das coisas materiais e exemplo de liberdade, de amor à natureza e a Deus. São monoteístas, conhecem o livre-arbítrio, a lei de causa e efeito, acreditam na reencarnação e são austeros e severos do ponto de vista religioso.
São profundos conhecedores das magias e das essências e dos elementos água, terra, fogo e ar, das ervas e das pedras, reconhecendo todas as dádivas da natureza como bens divinos.
Na Umbanda, atuam como guias espirituais de maneira extremamente respeitosa e sempre procuram mostrar o caráter fraterno do povo cigano, seu respeito com o alimento e a capacidade de repartir o pão. Aceitam o ritual umbandista, como meio evolucionista, e retribuem com suas ricas orientações e com a alegria de seus cantos e danças.

São bastante conhecidos na Umbanda os ciganos Wladimir, Juan, Igor, Iago, Ramiro, Pablo, Juanito, entre outros e as ciganas Sara, Najara, Carmem, Sulamita, Sunakana, Sarita, Ilarim, Madalena, Rosita, Esmeralda e muitas outras. As entidades ciganas atuam nas irradiações dos diversos Orixás.
Quando estamos em processo de desenvolvimento da incorporação para receber em nossa aura os Mestres Ciganos Astrais, teremos pontos comuns a serem observados no trabalho astral destes espíritos, levando em consideração o Grupo ao qual pertencem, e também pontos comuns a todos  os espíritos ciganos. Quanto maior for o abandono e a concentração nesta hora, os sentidos ficarão mais aguçados e o trabalho astral fluirá com mais facilidade. Pontos comuns a todos os espíritos ciganos são: Sensação de frio e calor ao mesmo tempo na altura do umbigo, sensação de peso na nuca, alegria, sensação de ser outra pessoa, incomodo na garganta/laringe, desequilibro, sensação de flutuação, formicação em todo o corpo, pontas dos dedos sensíveis, olhos pesados, sensação de energia sobre posta, região lombar sensível em toda extensão (coluna). 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Os Espíritos Ciganos




Os Espíritos Ciganos foram pessoas que já viveram nessa terra, e já tiveram de alguma forma no passado uma afinidade conosco, hoje se encontram em um outro plano astral e por algum motivo por eles somos protegidos e amparados sem nunca desviarem os seus olhares de nós.
A cada passo que damos temos as influências desses espíritos, seja para um conselho ou para uma exortação. Os Ciganos são sábios, pois além das experiências vividas, eles possuem artes divinatórias que os auxiliam na complementação dos sábios conselhos que nos dão de acordo com nossas etapas da vida. Ter um espírito cigano ao seu lado, é um privilégio que poucas pessoas sabem aproveitar de verdade. Se todos soubessem o quão valiosos são os ciganos, hoje em dia teríamos pessoas melhores, talvez não viveríamos num mundo medíocre.

"... Tenha sabedoria para compreender os que chegam até você. Sinta esta energia por meio do amor. Trilhe sempre o caminho do estudo sem cansaço ou presunção. Tenha no coração o caminho da fé, amando sempre o próximo como a ti mesmo..."

domingo, 10 de junho de 2012

A Origem do Baralho Petit Lenorman, utilizado pelos ciganos.

O Baralho Petit Lenorman foi criado pela francesa Marie Anne Adelaide Lenormand, nascida em 27 de maio de 1772 em Alençon, França. Ela era uma cartomante muito popular na época e entre seus diversos clientes podemos citar Napoleão, Josephine de Beauharnais, Robespierre, Louis XVIII. Ela elevou o conhecimento da Cartomancia através de ervas, flores e talismãs adicionando ao seu jogo de cartas.
Além de cartomante, Lenormand era astróloga, quiromante, numeróloga e tinha conhecimentos como geomancia, dominomancia, cafeomancia. Ela foi uma grande cartomante, de verdade e de sucesso.
Seu falecimento foi no dia 25 de junho de 1843, e infelizmente muita sabedoria que ela possuia desapareceu com ela. Incluindo suas fontes e métodos que utilizou para desenvolver o seu próprio baralho. Somente cinqüenta anos depois, alguns manuscritos de Lenormand foram recuperados e mais tarde divulgados - ou melhor dizendo, relidos.
Algumas atribuições das cartas por ela deixadas, foram chegadas até a nós traduzida nos livreto de instrução que acompanha no Baralho.
Porém, sendo os ciganos um povo nômade, se apropriaram do oráculo e dele usufruíram desempenhando um novo método e ensinamentos de jogo. Por isso, podemos dizer também que o fato desse oráculo não ter sido perdido foi devido ao esforço desse povo tão sofrido para sobreviver, tendo nos oráculos um meio de troca que lhes permitia conseguir o dinheiro para seu sustento.
É super importante lembrar a vocês que hoje o Baralho Cigano se encontra com métodos e significados diferentes do original Petit Lenormand, da França até o Brasil, ele foi passando por diversas regiões e por diversas gerações e conseqüentemente se modificando por onde o oráculo chegava.
E contudo o Baralho Cigano hoje, através dos seus significados e de nossa intuição (que é muito importante enquanto se está conversando com as Cartas) trás pra nós mensagens, conselhos e orientações que o nosso inconsciente bloqueia. O baralho cigano é valiosíssimo para as Pury Day (Kalins mais velhas), que vêem nele um método de conversa para pedir os melhores conselhos e até mesmo orientações pro dia-a-dia.
O Baralho Cigano, vai muito mais além do que as 36 cartas que tem os seus significados, pra quem o sabe usar, ele é o melhor amigo e melhor conselheiro, que fala sim toda a verdade, e mostra tudo aquilo que na maioria os nossos olhos não conseguem ver. É um privilégio que poucas pessoas sabem usar com verdade.
Porque a cartomante que tem as suas cartas, ela tem tudo! Tudo vê, tudo sabe, tudo conhece, tudo alcança.




domingo, 8 de abril de 2012

Minha Ofisa Romai

Hoje venho falar um pouco com vocês sobre a minha Ofisa Romai, aonde eu me preparo para atender meus amigos, clientes e fazer minhas magias e vendas de perfumes mágicos, etc...

Quando se fala em Ofisa, se fala de um lugar mágico preparado energéticamente para jogos oráculares e antes de tudo, orientar aqueles que buscam auxilio.
O Oráculo é um objeto sagrado e o dom de oracular também, deve ser respeitado e valorizado não só pelas cartomantes, mas também pelos clientes que vem até nós pedindo uma direção...
Pois é através do uso das cartas que damos caminho, alertamos do perigo e ajudamos a prosseguir dando passos melhores.

Para melhores informações sobre a minha Ofisa, segue os contatos...

Salve Sara Kali...